quarta-feira, setembro 06, 2006

Ronaldinho na Berlinda

Em uma tarde qualquer do ano passado, durante o horário de almoço desfrutado com sofreguidão em meu finado emprego, horário esse que eu fazia de tudo para coincidir com pelo menos um dos tempos dos jogos da Champions League, lá estava eu, uniformizado, de saco cheio e assistindo a um jogo do Barcelona, contra o Milan, se não me engano.
Eu e mais uma meia-dúzia de peões de pança cheia, esperando a volta completa do relógio-capataz.
A uma certa altura do jogo, o locutor ( se não me engano o Éder Luiz ) pergunta ao comentarista: Fulano, quem é melhor: Pelé ou Ronaldinho?
Eu, incauto, do alto da minha ignorância, já começava a sorrir e dizer em voz alta, pra mim mesmo “ Não tem nem comparação, o Pelé, é claro ”, quando alguém, atrás de mim, tirou quase todas as palavras da minha boca, apenas substituindo o’Pelé’ por ’Ronaldinho’.
Olhei pra trás e disse algo do tipo ‘você ta louco? Não dá nem pra comparar!’.
Aí foi que eu vi.
A opinião dele não era propriamente uma opinião, mas uma unanimidade. Todos os outros na sala concordavam: Ronaldinho é melhor que Pelé.
Afinal, Pelé só jogava contra galinhas mortas, no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, ao passo que Ronaldinho brilha como o outro nunca conseguiu jogando entre os melhores do mundo.
A discussão se estendeu mais um pouco e terminou, com todos concordando em discordar; afinal uma hora passa rápido e tinha Barça e Milan na TV, no meio do horário do expediente.
Na verdade, a discussão durou até as quartas de final da Copa do Mundo.
Zidane e Henry colocaram um ponto final nela.
O colunista Guilherme Fiúza, em um artigo publicado hoje no site ‘no mínimo’ ( clique aqui para ler ) dá uma desbancada monstro no tal do Ronaldinho Gaúcho.
Não sei se concordo com tudo o que vai ali, mas que ele diz umas verdades, ele diz.
Criticar a falta de objetividade e falta de inteligência que o Ronaldinho vem mostrando principalmente pela seleção é algo raro na crônica esportiva nacional.
E faz uma constatação bem original e certeira, na minha opinião: ele burocratizou a alegria do futebol; fez da finta, do drible, um recurso a ser usado com parcimônia e inteligência, para manter a aura de inesperado e fulgurante, uma marca registrada forçada e pouco efetiva.
Leia o artigo e veja se ele não tem uma ponta ( de iceberg ) de razão.